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9 coisas

escrito por: Ágata Xavier

20/11/2021

9 coisas (algumas assim para o gráficas) que me disseram e que gostava as futuras mães também soubessem:

  1. Vais ter de fazer cocó ainda na maternidade para teres alta. Se mentires, não faz mal, ninguém vai comprovar se fizeste cocó, mas, porque algum dia terás de o fazer: enrola papel higiénico à volta da mão e, quando fizeres força, pressiona com o papel no sentido contrário. Não, o períneo não vai ceder.
  2. Se tiveres um parto vaginal, sobretudo se for instrumentado, vais ficar com um hematoma — mesmo que tenhas parido rodeada de unicórnios e pó de fada. Se ficas espapaçada quando tiras um dente, é normal que também fiques depois de parir um bebé. Põe ervilhas dentro de um preservativo e coloca-o fechado no congelador. Depois basta enrolar num pano ou compressas e encostar ao períneo. Encostar.
  3. Por causa da dilatação do útero, vais estar com os órgãos fora do sítio durante algum tempo. O intestino e a bexiga vão continuar um bocado comprimidos o que vai fazer com que pareças um fagote quando andas (nem sempre, vá, mas algumas vezes) e tenhas de te levantar para ir fazer xixi uns dois minutos antes de teres vontade de fazer xixi, correndo o risco de não chegar ao wc a tempo. Resultado: faz xixi onde tiver de ser, tudo se limpa. Se for preciso, por causa do desconforto, faz cocó noutro sítio que não na sanita, tudo se limpa. E ri, ri muito! Nunca te deixes envergonhar, nem te sintas humilhada — os bebés não controlam o sistema urinário e são amorosos à mesma. Se sentires desconforto e as coisas não forem ao sítio passado uns tempos, fala com a tua ginecologista ou médica de família e procura uma fisioterapeuta pélvica.
  4. Vais sangrar durante umas semanas depois do parto (chamam-se lóquios) e até podes sentir contracções, mas neste caso é o útero a retrair. Não uses tampões nem copo menstrual. Troca o penso ou fralda com regularidade. Aproveita para descansar muito.
  5. A pele precisa de respirar para cicatrizar. Nada melhor do que andar ao léu, quer seja com o pipi, quer seja com as mamas. Dorme nua com uma toalha ou um resguardo por baixo, por causa dos lóquios, para não estares sempre a trocar os lençóis. É mais fácil ir trocando a toalha ou o resguardo.
  6. Para ajudar na cicatrização do períneo põe Cicalfate, da Avene, no início, e óleo de coco ou rosa musqueta mais para a frente. Massaja bem a cicatriz, sem medos, e põe-na a apanhar ar. Aproveita o sol que entra pela janela. Se sentires que a cicatriz continua muito presa e sem mobilidade, procura uma fisioterapeuta pélvica — alguns hospitais e maternidades têm consultas gratuitas.
  7. Para ajudar na amamentação — se optares por amamentar ou tentar amamentar—: põe uma compressa quente na mama antes de dares de mamar, dá de mamar, põe uma compressa fria ou uma folha de couve vinda directamente do frigorífico na mama depois de dares de mamar. Se possível, usa uma Haaka na mama que está livre para aliviar (é um colector, não é uma bomba, por isso não estimula). No final, usa o teu leite no mamilo e aréola para acelerar a cicatrização e/ou Bepanthene (neste caso, limpa muito bem a mama antes de voltares a amamentar). Aquele creme muito conhecido e que toda a gente recomenda não deixa a pele respirar (e, no meu caso, parecia que queimava), mas, se funcionar contigo, usa.
  8. Anda com as mamas ao léu sempre que possível. Existem uns mamilos de prata à venda, que têm tanto de bom quanto de caro, que ajudam a lidar com a impressão causada pelo soutien. Depois, quando já não precisares, podes derretê-los e fazer um anel. Espreita também os discos de algodão que podem ser lavados e são mais amigos da pele e do ambiente.
  9. A probabilidade de ficares com hemorróidas, fissuras, mariscas e derivados é grande. A força do período expulsivo, a pressão do bebé na zona pélvica ao longo dos meses e a grande concentração de sangue numa só área levam a que dificilmente se escape à tormenta. Cremes, limpar com toalhitas ou jacto de água, fazer banhos de assento, são várias as sugestões para aliviar o desconforto. Segue ou espreita a página “ashemorroidas” no Instagram, só o senhor Zuckerberg saberá que lá foste, para descobrires tudo sobre as tuas novas amigas indesejadas. Come de forma equilibrada e bebe muita água. Fala abertamente sobre o assunto com a tua ginecologista ou médica de família, sem medos ou vergonhas. Procura ajuda especializada se persistirem.

Nota: Nenhuma das marcas citadas me pagou ou ofereceu nada. Tive um parto vaginal e, por isso, só posso sugerir com base nisso. Também tive uma santa enfermeira por perto, a quem devo muito, e que me ensinou tudo isto.

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