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A primeira

escrito por: Anónimo

13/03/2022

Fui a primeira de todas as minhas amigas a ser mãe, com 25 anos. Quando lhes contei, a felicidade foi geral. Umas choraram, outras gritaram, mas todas ficaram entusiasmadas.

Pelo meio de confinamentos, fomos tentando estar juntas para acompanharem o crescimento da barriga. Gabavam-se que iam ser as melhores tias do mundo e discutiam sobre quem iria ser a preferida.

O meu filho nasceu e, como já esperava, todas quiseram visitá-lo. A dura realidade veio depois. As visitas foram sendo cada vez mais espaçadas, com menos regularidade e eu, na minha licença de maternidade, fui ficando cada vez mais sozinha. Foi aqui que percebi que a maternidade pode ser muito solitária.

Não as posso culpar. Não sabem por aquilo que estava a passar. Não conseguiam dar-me aquilo que precisava naquele momento e eu já não era a amiga que tinha a disponibilidade de antigamente.

Com o alívio das restrições da pandemia voltaram os jantares, as saídas à noite e eu, agora com um bebé pequenino, já não posso (nem quero) acompanhar essa vida. Os meus programas são passear no parque com o bebé, lanchar, ver a hora do banho… Mas talvez isso não seja interessante para elas.

Sinto-me cada vez mais distante e sinto-as cada vez mais distantes.

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