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A roda dias

escrito por: Maria João Nunes

27/05/2021

Um destes sábados, o meu marido, depois da miúda decidir acordar às cinco e meia da manhã, dizia-me “não sei o que estranhas, os teus dias são sempre iguais”.
Na altura aquilo passou-me ao lado mas ficou a habitar um cantinho do meu cérebro e a ecoar diariamente.

A verdade é que há um ano e quase três meses os meus dias são uma repetição de si mesmos. Ora com uma, ora com duas crianças. Ora com sol e calor, ora com chuva e frio, os meus dias têm-se resumido a tomar conta de crianças e da casa.
O sábado e domingo diferem dos outros dias da semana porque em vez de um adulto em casa somos dois. Mas de resto é mais um dia em que acordo para a rotina de crianças e casa.

Antes desta pandemia os primeiros tempos da maternidade já eram solitários. Agora então é absurdo. Não estamos com os amigos porque não fazem parte da nossa bolha social. Não estamos com os nossos pais porque já são grupo de risco e queremos protegê-los. Acabamos por ficar mais sós. Mais isoladas. E sim, falo no feminino.

Voltando à frase, ela lá ficou no meu cérebro. A criar raízes juntamente com o cansaço de noites mal dormidas e de dias com uma bebé ao colo permanentemente. Felizmente sei reconhecer em mim os sinais de cansaço e dos efeitos deste isolamento. Falta-me, agora, aprender a pedir ajuda sem ser em explosão, sem ser no limite. Torna-se difícil essa aprendizagem quando os nossos dias são uma repetição uns dos outros.

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