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As férias da Mãe

escrito por: Marta Nabais

19/07/2021

Na semana passada aconteceu uma coisa inesperada. Fiquei pela primeira vez uma semana sem o meu marido e filhos. Era a única semana de férias disponível dos nossos amigos e eu tinha um bebé prestes a nascer. A probabilidade de ter de ficar era alta mas decidimos arriscar. Os miúdos iam ficar felizes.

Já agora aconselho a quem tem miúdos pequenos tirar férias com outra família com crianças da mesma idade. Corre sempre bem! Os miúdos brincam, os pais dividem tarefas e têm conversas profundas.

O que se sucedeu a seguir foi revelador.

Partilhei este momento nas minhas redes sociais e comecei a receber estas mensagens:

  • Está tudo bem?????
  • Foi sozinho? 1 semana? coitado do homem…
  • Estou cheia de inveja, aproveita!
  • Oi! Ai é? E ele safa-se?
  • Ena!!! Agora é que é Martinha! A viver a VIDA LOUCA!

Portanto eles vão de férias, eu fico a trabalhar, mas vivo a vida louca… certo.

Arrependi-me e tive vergonha de ter colocado a foto que originou os comentários. Eu sou das que digo à boca cheia que ele é muito melhor “dono de casa” do que eu. E não, isto não se trata de competição em quem tem o melhor namorado e pai. Eles não têm de ler os mesmos livros de parentalidade que nós. Eles não ajudam, eles fazem parte da equipa. Eles têm obrigação de cuidar tão bem quanto nós, mesmo sendo do jeito deles. Se lutamos para que seja abolida a palavra perfeita do dicionário de Mãe, não podemos fazer o contrário com eles… esperar que sejam perfeitos. Eles têm de querer ser competentes e capazes. Escrever as suas intenções como pais. Aliás, ambos o devíamos fazer.

Lembro-me da partilha tocante do Mário Santos em relação ao pai dele (no dia do pai). Não nos podemos esquecer que a herança masculina também é dose. Se ser mulher é difícil, por tudo aquilo que esperam de nós, o ser pai, também o é. Anos de ditadura (válido para ambos), regime militar obrigatório (isto sempre me meteu muita confusão), homem não chora, não demonstra sentimentos, não faz diferente, cumpre, obedece e trabalha para manter o lar. A pressão é igualmente sufocante (digo eu), onde o bónus será circularem num mundo maioritariamente masculino com leis feitas por homens.

Devíamos legislar: os novos pais. São espécimes que procuram, que estão presentes e vão com as companheiras às consultas de amamentação. Que procuram uma doula, às vezes por ser importante para a companheira, mas no final percebem que também eles, à sua maneira, compreendem melhor o seu papel na equação. E não, não vale ter ciúmes do bebé… Mãe e pai têm necessidades bem diferentes no puerpério, mas têm uma em comum. Apoiarem-se para que nada falte um ao outro e à sua cria. Têm de ser uma equipa, lembram-se?

Talvez fossemos mais felizes 🙂 eu fui. Bebi 2 caipirinhas.

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