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As mãos das mães

escrito por: Joana von Bonhorst

04/11/2021

As mãos das mães
as mães das mãos

As mãos, as mães.
Será acaso a semelhança?

As mãos, as mães, as mãos das mães.

As mãos que afagam
que esticam
curam
agarram
que puxam.

As mãos que almofadam
decoram
que aninham
que cobrem.

As mãos das mães.

As mãos que dobram
sacodem
voltam a dobrar
ajeitam
compõem
decoram
e constroem.

As mães. As mãos.

As mãos que carregam
que escolhem
tiram e voltam a pôr
daqui para ali
de dentro para fora
de si para todos

As mãos que penteiam
que lavam
que vestem
que despem
que lavam
que penteiam
que vestem

As mães. Sempre as mães.
As mães e as mãos.

As mãos que fazem festinhas
bolos
sopas
arroz doce
e sonhos
magia

As mãos que desenham
assistem
que escrevem
e folheiam

As mãos que tricotam
cavam
cosem
regam
descascam
acodem

As mãos na ombro
mão na mão
no cabelo
corpo
no coração.

As mãos das mães.

As mãos que repetem
ensinam
dão
do nada
para tudo

As mãos. As minhas mãos
da minha mãe
da minha avó

O que eu faço
ela fez
e antes de ela fazer
outra fez.

Com as mãos.
Em gestos eternos
as mãos das mães.

As mãos que em movimentos contínuos se movem por entre o tempo
as casas
as famílias
os filhos

Que mirram
ganham marcas
e veias
calos e riscas

As mãos
as mães
são
a eternidade

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