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Dar guarida à insónia

escrito por: Joana Filipe

20/05/2021

Pés no teu pescoço. Dorido, lambes a dor com um murmuro, enquanto lhe acarinhas as pernas, desassossegadas. O nosso filho dorme entre nós e, por trás de ti, somente a parede te serve de amparo. Do outro lado da cama, os meus pés tocam o chão, a camisola beija o queixo. O inverno trouxe o frio, mas não ranjo os dentes quando o Benjamim me procura para o amamentar.

Não despertamos, embora tenhamos cruzado o olhar por uns segundos. Estamos ali, entre o cá e o lá, entre a parca lucidez e o transe. No escuro da noite, partilhamos a cama com a vulnerabilidade.

Estou alerta, agora. Frases soltas em mente repousada são curtos pesadelos que demoro a digerir. Ainda ontem o acolhi nos braços, os olhos semicerrados entre os soluços da angústia. Tão pequenino e já na cela dos tormentos. Deitei-o junto ao peito, que não sinto frio quando lhe sou abrigo.

Estou cá, enquanto estão por lá.

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