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Especialista

escrito por: Anónimo

21/12/2021

Falaram-nos em amputação às 24 semanas de gestação. Não me permiti chorar, não me permiti duvidar do amor que sentia pelo bebé que estava na minha barriga. Ao contar à família, tornou-se realidade, e foi ao telefone com o meu querido pai que me deixei ir abaixo. Não falei, só chorei. E no alto da sua sempre presente bondade, o meu pai disse “não consigo imaginar sequer a tua dor, mas chora que eu estou aqui a ouvir-te”. Não sei quanto tempo estive a chorar ao telefone com ele do outro lado, mas foi o suficiente para me agarrar com todas as minhas forças ao meu bebé. Quando finalmente o nosso pequenino nasceu, tivemos o primeiro impacto duro desta longa viagem, a equipa médica cheia de problemas em falar abertamente sobre a evidente diferença do nosso filho. Sobrevivemos e focámo-nos em construir a nossa bolha de amor. Ao décimo dia de vida, começou a nossa longa viagem de consultas, raio X, ecos, fisioterapia, sem data para terminar. Em 5 meses já aprendi mais do que em toda a minha vida, e foi-me tudo ensinado pelo meu filho.

Aprendi que tenho forças que não sabia ter. Aprendi a ter esperança e a acreditar no impossível. Aprendi que este bebé é um vencedor e que só tenho de lhe dar oportunidade para me mostrar o quão incrível ele é. Aprendi que tenho o homem certo para ser pai do meu filho, e que o que parecia ser uma luta difícil e dura, se tornou num amor ainda maior. Por cada dia que passa sou mais feliz por este bebé me ter escolhido para mãe dele.

Falam-nos tantas vezes de amputação, que já conheço todos os casos de sucesso, já vi todos os TEDTalks e estudos existentes. Os médicos brincam e chamam-me especialista. E sou, sou especialista em amar incondicionalmente e orgulhosamente o meu bebé. 

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