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Foi a covid, não foi?

04/01/2022

Depois de ser mãe, perdi a maior parte das amigas que tinha. Não sei se as perdi, se foram elas que me perderam a mim. De qualquer das formas, acho que ninguém ficou a ganhar.

Há dias em que me sinto tão sozinha, que me agarro ao meu filho e tento procurar nele o carinho das minhas amigas. Vivo atarefada o meu dia a dia, com a escola, com o trabalho, com a casa, com as compras, com a sopa… E sinto muitas vezes que só cá estou a sobreviver. E a culpa não é minha. Ou se calhar é. Se não me procuram é porque não devo ser assim tão boa companhia, não é verdade? Há uma tendência muito grande em acreditar-se que as pessoas com marido e filhos atingiram a plenitude e não precisam mais de atenção. Têm tudo o que precisam, que raio poderiam querer mais? Quase como um puzzle, cujas peças encaixaram todas: está finalizado, não mexe mais, está perfeito.

Dentro de mim desejo muitas vezes que algumas das minhas amigas tenham filhos o quanto antes, para sentirem na pele a solidão que nos assola quando sentimos que já não fazemos falta a ninguém. Há um ano que não recebo chamadas para convívios, para novidades, para ser colo ou receber colo. Raios partam a Covid.

Foi a Covid, não foi? 

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