Skip to content

Loucura minha

escrito por: Jéssica

11/03/2022

 Por vezes penso que é uma loucura minha engravidar ao fim de 16 meses de ter tido um bebé. Com o tempo a passar e o susto que já apanhei com esta nova gravidez, sinto um peso e uma felicidade constante. Mas o que me custa não é isso e sim o cansaço e a carga mental, a pressão para ir trabalhar, a falta de vagas nas creches e o coração apertado. O coração aperta, gostava de poder ficar em casa a tomar conta dos meus filhos e cuidar deles, mas nada estica e as contas e as obrigações têm de ser cumpridas. Mais carga.
E porque não sabia o que era verdadeiramente ter filhos e uma casa constantemente em mudança e adaptação. Um terceiro andar sem elevador e os verões prolongados. Um corpo que pede para abrandar e uma mente que quer cuidar. Livros para ler e aprender, ensinar e brincar, apreciar e disponibilizar mais.

Junto a quase 20 meses a amamentar, as vezes que acordo de noite e saio da cama, sem o acordar, para comer. O meu corpo precisa também de alimento.

Acordar cedo, fazer a rotina, as lides domésticas intermináveis. A falta de serviços e de escolhas e o medo. O medo, esse que se apodera de mim, quero antecipar, mais carga para mim. Pensar em tudo e cuidar. Plano A , B e C, talvez deva pensar num D, tentando ao mesmo tempo não criar expectativas. E aquele exame que nunca mais sai o resultado? Antecipar e lutar contra ansiedade e o medo, mais carga mental, ao mesmo tempo que penso e luto para viver um dia de cada vez. Mas devia antecipar.

Aquela carta que chega e pressiona me para ir trabalhar, o meu filho não tem com quem ficar e o meu bebé que quero tanto e amo tanto dentro de mim.

O tempo que não pára e eu só quero paz e viver um dia de cada vez.
Sim talvez seja loucura minha, mas eu amo tanto e quero tanto.

outras entradas no diário

Amor em letras (i)números

Margarida Carrilho
04/04/2022
Mas nos dias em que penso muito o que mais penso é no peso desta dança descompassada Mas que é bela, tão bonita É mar profundo e escuro

Um dia normal

Marta Cruz Lemos
03/04/2022
Barriga cheia, senta entre nós, brinca com a caixinha de tralhas que já tenho a postos na mesa de cabeceira, canta, pede abraços, dá beijinhos. Aguenta uns 20 minutos até termos de nos levantar à pressa, que o senhor quer explorar e não quer ir sozinho.

um dia bom

Maria Veloso
01/04/2022
Acaba março, não sinto aquela excitação do costume, nem com a mudança da hora. Não houve inverno, houve pandemia. Não há dias normais.