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Mãe-colchão

escrito por: Patrícia Rebelo

21/02/2022

Estás deitada em cima de mim. A tua pele em contacto com a minha. Ouves o bater do meu coração, este som que te acompanha desde a tua formação. És tão pequenina e tão grande. 

Procuras a mama para te confortar. Voltas a entrar num sono profundo e o meu corpo continua a servir de colchão. O tempo está em pausa. Sou eu e tu. Não me importo. Quero absorver o máximo de ti: o teu cheiro ainda a bebé, o toque das tuas mãos pequeninas na minha pele, o teu respirar com cheiro a leite. 

Dou por mim a pensar o quão segura te deves sentir para confiares em mim para adormeceres. Realmente adormecer no colo de alguém é um grande acto de confiança, estamos tão vulneráveis. Viras a cabeça e eu dou-te festinhas no cabelo. Apetecia-me ter um poder mágico para parar o tempo e ficar assim contigo. 

Despertas. Olhas para mim e sorris. Mesmo quando fores crescida vais ter sempre um colo para onde voltar e uma mãe que vai ser sempre colchão. 

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