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Não faz sentido

escrito por: Sara Abreu

02/08/2021

Daqui a uma semana, aos 3 meses e meio, o meu filho vai entrar na creche. Porque eu vou trabalhar. Para pagar, entre outras coisas, a creche. Porque estou a trabalhar. Para pagar para que tomem conta dele enquanto estou a trabalhar. Porque preciso de pagar a creche, onde ele está porque eu estou a trabalhar.

A verdadeira pescadinha de rabo na boca. E se antes de ser mãe não via o sentido de viver nesta roda de hamster capitalista, agora muito menos. Para que fui eu ter um filho se depois vou depositá-lo longe de mim a maior parte do dia (útil) para que tomem conta dele? Passamos literalmente de 24 horas juntos para pouco mais de 4 ou 5, já que o resto do tempo ele estará a dormir.

A prova de que a minha cria (palavra escolhida com o objectivo de ilustrar a natureza da situação) não está preparada para estar longe de mim é a recomendação oficial da OMS de amamentação exclusiva nos primeiros 6 meses. Literalmente: quem a deve alimentar exclusivamente nos primeiros 6 meses sou eu.

Se assim é, por que é que a licença de maternidade no país onde vivo, a Holanda, é só de 12 semanas (pós-parto, 16 no total)? Que curva fizemos no caminho onde produzir passou a ter mais importância do que cuidar dos nossos filhos?

A uma semana de o ter de deixar na creche pela primeira vez, já estou a antecipar um coração partido e muitas lágrimas. Minhas, claro.

Isto não faz sentido nenhum e já só me apetece chorar.

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