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Navegando

escrito por: Anónimo

05/09/2021

Pós-parto. Navegando por esta aventura, tantos momentos bonitos. O primeiro banho, as manhãs de namoro na cama, o primeiro sorriso, o pézinho na praia. Mas o momento mais bonito até agora, não foi com o bebé, não foi com o pai do bebé, não foi nas férias, nem com os avós. Foi com uma colega de trabalho.

Sim, vai acontecer. Aos 4 meses de bebé vou ter um evento importante, e logo em grande, 5 dias em que saio às 7h e chego às 00h. Começou a paranóia de tirar leite, de fazer stock, da pressão e medo ao perceber que não vou conseguir tirar o suficiente porque uma coisa é o bebé outra coisa é o plástico frio da bomba. Mas nada de desistir, uma mãe consegue tudo, vou tirando o possível entre mamadas e haverá sempre uma lata de fórmula para complementar se necessário. Mãe feliz é bebé feliz e mãe tem de trabalhar para ser feliz, por isso não pensámos duas vezes. Já disse que uma mãe consegue tudo?
Reunião para preparar o trabalho. Ignorar comentários (de homens!) sobre como consigo deixar o bebé tão pequenino, coitadinho, o trabalho podia esperar. Desligando o chip de mãe e ligando o chip de profissional competente, mostro-me confiante. Por dentro tremo, claro, mas nada de dar parte de fraca. Nós mães temos esta tendência (ou mesmo necessidade) de provar aos outros que somos capazes, que a maternidade não nos tirou neurónios nem motivação, especialmente no que ao trabalho diz respeito. É que uma mãe consegue tudo, repito para mim mesma.

E, de repente, a directora do projecto pergunta: “Estás a amamentar, certo?” Ui, o que vem lá? Respondo que sim, a medo. Do outro lado um grande sorriso – “Muito bem. Vou pôr uma pessoa perto de ti, para estares à vontade. Podes ir tirar leite quando precisares e se quiseres o teu companheiro pode trazer de vez em quando o bebé para mamar e estares um bocadinho com ele. São muitas horas e percebo que não ia ser fácil”. Digam-me lá se este não é o momento mais bonito do pós parto?

Esta mulher, jovem, sem filhos, teve uma sensibilidade que poucos têm. Quantos homens se lembrariam de tal coisa? Quantas mulheres de topo, já com filhos criados, teriam este cuidado (porque com elas não foi nada assim, tiveram pós partos horríveis, regressos ao trabalho duríssimos e portanto as outras mães que vêm a seguir também merecem sofrer)?Nós, mães, somos sim capazes de tudo, mas é essencial que nos criem condições para isso. It takes a village, e eu tive a sorte de, sem eu pedir, ter alguém a dar-me a mão, a tirar-me um peso dos ombros e a acalmar-me o coração. Farei o mesmo às mães que vierem a seguir a mim, e assim sucessivamente, numa corrente que irá facilitar as vidas de tantas mães e bebés. E assim percebo que afinal era tão fácil termos pós partos mais leves e famílias mais felizes. Basta apenas uma pessoa fazer a diferença no seu cantinho, para iniciar uma nova corrente. Vamos a isso?

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