Skip to content

Parir em casa

escrito por: Joana Recharte

17/02/2022

O melhor do parto em casa é que o pós-parto começa imediatamente no melhor sítio do mundo” – disse-me a minha parteira no dia seguinte ao nascimento da Céu e eu, agora que vivi duas experiências diferentes, não podia concordar mais.
O conforto de ter silêncio e só quem eu quero à volta, o conforto de poder logo vestir o meu pijama, receber o Gaspar na sala, deitar-me no sofá, deitar-me no sofá de qualquer maneira (!), dormir um sono na minha cama, ir à prateleira dos chocolates, andar de fralda de um lado para o outro, tomar 3 banhos por dia, olhar o infinito na parede branca do quarto porque o baby blues chegou e poder estar sozinha com a minha tristeza hormonal sem ter de seguir protocolos ou responder a quem quer que seja…

Tinha parido há 3 dias quando me sentei para escrever pela primeira vez.
A Céu estava embrulhadinha num swaddle atrás de mim, a dormir à luz do sol d’inverno.
Eu estava bem, sentia-me capaz, sentia-me bonita. Estava imensamente orgulhosa de mim.
Consegui encontrar um velho lenço que assentava super bem num vestido verde que estava perdido no armário. Muito Idda van Munster style. O cabelo-milagre da gravidez ainda estava comigo. Tinha comido uma bela taça de estrelitas quentinhas, calcei as minhas botas castanhas e saí com o João para tratar de burocracias.

A vida parecia normal, como se não tivesse havido a interrupção de um nascimento. Talvez porque em casa, pares e a vida simplesmente continua. Tal como é. Tal como és. 

E, para mim, não há coisa mais inspiradora do que ver a vida fluir harmoniosamente. Sentir na alma e nos ossos que tudo está como deve estar, tudo é como deve ser.

outras entradas no diário

Amor em letras (i)números

Margarida Carrilho
04/04/2022
Mas nos dias em que penso muito o que mais penso é no peso desta dança descompassada Mas que é bela, tão bonita É mar profundo e escuro

Um dia normal

Marta Cruz Lemos
03/04/2022
Barriga cheia, senta entre nós, brinca com a caixinha de tralhas que já tenho a postos na mesa de cabeceira, canta, pede abraços, dá beijinhos. Aguenta uns 20 minutos até termos de nos levantar à pressa, que o senhor quer explorar e não quer ir sozinho.

um dia bom

Maria Veloso
01/04/2022
Acaba março, não sinto aquela excitação do costume, nem com a mudança da hora. Não houve inverno, houve pandemia. Não há dias normais.
×

Subscrever newsletter