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Parto sem violência

escrito por: Sandra Caravana

16/11/2021

Há mulheres que precisam de saber tudo sobre partos: o que acontece, o que não acontece, o que pode acontecer. 
Há mulheres que só querem ser mães. Porra para a gravidez. Fod@-s3 o parto. 
Eu cá sou do segundo tipo. 

Fui mãe em 2018. 

Fui mãe em 2018 e sem ir a aulas de preparação para o parto e sem ver vídeos de partos e sem grupos de mães no Facebook. Porque para mim, foi o melhor. 

Dito isto, gostava de partilhar a minha história de parto.

Versão resumida: espirrei e a minha filha estava cá fora. 

Versão pormenorizada: comecei com contrações e fui para o hospital. Com dores, uma auxiliar deu-me a mão e levou-me para o piso de obstetrícia. Quando chegou a anestesista, eu disse que estava com muito medo. A médica só me pediu para eu ficar quieta. Perguntei-lhe se podia falar porque ajuda-me quando estou nervosa. Faço o mesmo quando estou a doar sangue: falo, falo, falo. 

A anestesista pediu-me desculpa porque colocou um pouco de fita cola e puxou-a, arranhando-me um pouco. A epidural estava dada. E eu continuava a falar. Disse-me que podia estar na posição mais confortável para mim e que até podia andar. Fiquei quieta. Chegou uma parteira. A bebé era pequena, estava encaixada na posição correcta e muito em baixo. Disse-me para eu puxar. “Puxar para onde?” Sugeriu-me uma posição. Eu não estava a perceber como raio eu ia fazer força nem para quê. Até que percebi. Perguntei se podia fazer força. E fiz. Céus… que alívio. 

A bebé veio para cima de mim e queixei-me de dores. Eram os pontos. Fechei os olhos. Passou. 
Veio um enfermeiro e perguntou-me se eu queria dar de mamar. Eu disse que sim e ele deu-me os parabéns. Mais importante do que isso, ensinou-me a dar de mamar. 

Sim, há violência numa box de partos. Há palavras que magoam. Há procedimentos que são desaconselhados pela OMS. Há comunicação não verbal que a mulher ali deitada consegue perceber, sem conseguir reagir. 

Mas, por favor, acreditem que também há partos saudáveis (sem querer aqui usar ‘bons’ ou ‘maus’, porque mesmo sendo ‘bom’ pode ser um trauma).

Há partos sem violência. 

Por favor, não percam a fé. Não coloquem todos os profissionais de saúde no mesmo saco. As mães não têm de ser todas especialistas em partos. Como mãe, eu não tenho de perceber de partos. Resultou para mim. Resulta para todas? Não. Porque cada parto conta uma história diferente.

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