Skip to content

Somos um

escrito por: Alexandra Simões

03/03/2022

O meu filho nasceu e não sabe ainda que existe fora de mim. E eu? Nasci como mãe, mas não sei ainda existir sem ser apenas eu.

Mãe e filho nascem no momento do parto. E por muito que já nos consideremos mães antes — e eu digo que tenho dois filhos, um deles partiu às 6 semanas de gravidez — , ter um bebé completamente dependente de nós é algo para o qual nunca se está preparada. Por muito que isto seja o nosso maior sonho. Por mais apaixonadas que estejamos pelo nosso bebé. Por mais vontade que tenhamos de cuidar dele e de lhe dar tudo. Mas é que temos que nos dar mesmo por completo! Oferecemo-nos de corpo e alma. Mamas de fora constantemente, a serem sugadas. Sono roubado por choros frequentes. Tempo que se esgota num dia, que tanto parece demasiado comprido como passa a correr. E ainda estamos a aprender a importância de tirar um bocadinho para nós a cada dia. De fazer algo que seja apenas da mulher e não da mãe.

É uma reorganização brutal do nosso ser, de quem somos. Das nossas prioridades e motivações. Estamos a ser engolidas e queremos manter-nos à tona. Mas ao mesmo tempo queremos e precisamos de ir ao fundo. Não queremos ser exatamente a mesma mulher que éramos, mas resistimos à transformação que está a acontecer.

Porque ser mãe com um bebé na barriga — mesmo com muitos desafios que possam existir na gravidez — é uma coisa. E ser mãe com um bebé nos braços é outra totalmente diferente. Então é preciso que haja tempo e espaço para esta metamorfose. É preciso apoio para os momentos de namoro com o bebé e mais apoio ainda para quando a mãe precisa de se afastar para respirar. É preciso que isso possa acontecer com naturalidade e sem culpa. Para mim, este foi o grande desafio do pós-parto e ainda me estou a reencontrar.

outras entradas no diário

Amor em letras (i)números

Margarida Carrilho
04/04/2022
Mas nos dias em que penso muito o que mais penso é no peso desta dança descompassada Mas que é bela, tão bonita É mar profundo e escuro

Um dia normal

Marta Cruz Lemos
03/04/2022
Barriga cheia, senta entre nós, brinca com a caixinha de tralhas que já tenho a postos na mesa de cabeceira, canta, pede abraços, dá beijinhos. Aguenta uns 20 minutos até termos de nos levantar à pressa, que o senhor quer explorar e não quer ir sozinho.

um dia bom

Maria Veloso
01/04/2022
Acaba março, não sinto aquela excitação do costume, nem com a mudança da hora. Não houve inverno, houve pandemia. Não há dias normais.